“Que? Tá maluco, Jean? O Instagram não quer roubar o Zap! O Zapzap e o Instagram já são do Facebook.”
Calma, não estou falando do Whatsapp. Estou falando de algo que fazemos/fazíamos na televisão e que o IGTV está tentando reproduzir: o ato de zapear.
“Zapear é o ato de mudar rápida e repetidamente de canal de televisão ou frequência de rádio, de forma a encontrar algo interessante para ver ou ouvir, geralmente através de um controle remoto.” [wikipédia]
Inclusive, é bom lembrar que há poucos anos o eletrônico prioritário nos lares brasileiros era a televisão e hoje… exatamente, a prioridade é o telefone celular. Isso explica a criação de uma plataforma de vídeos na vertical.
Pense em como consumíamos conteúdo há poucos anos. Ligávamos a televisão ou o rádio e escolhíamos a melhor opção dentro daquela grade programação. Hoje não.
No streaming, o consumo é muito diferente. Não estarmos presos a uma grade fixa nos deu a liberdade de decidir o que assistir na hora que queremos assistir. Isso é uma quebra de paradigma muito grande – a liberdade de assistir algo sem estar preso à uma grade.
Agora vou fazer uma pergunta para você se sentir parte desse texto:
você já teve a sensação de demorar mais tempo escolhendo o que assistir no Netflix do que, de fato, assistindo?
O problema é: às vezes não queremos decidir nada nem pensar em nada. Queremos nos jogar no sofá e fazer cosplay de zumbi por algumas horas. O Instagram quer trazer a experiência de “zapear” de volta. Vamos decidindo o que assistir, enquanto assistimos. Essa é a maior diferença na experiência do usuário quando comparamos com o YouTube ou Netflix.

Além dos grafismos e efeitos analógicos que imitam a TV, temos o auto play. Essa é uma das formas de criar essa sensação de zapear. Você entra no aplicativo e já está consumindo, sem pensar em nada. Não gostou? Tem mais uma sugestão ao lado. Não gostou ainda? Aqui vai mais uma.
Alguns acham o autoplay invasivo, mas na verdade é um truque de mestre. O objetivo de todo app/site é fazer com que o público siga consumindo conteúdo, sem dar tempo para o usuário pensar em ir embora. Dar play no vídeo automaticamente “fisga” o espectador no momento em que ele entra no aplicativo. E depois que o vídeo atual terminou? Outro começa a rodar quase imediatamente após o primeiro.
Algumas das reclamações que mais vi sobre a usabilidade do app foi a dificuldade de pausar os vídeos. Não é atoa! O IGTV não quer que você pare de ver vídeos.
No IGTV não há grades fixas. O conteúdo é personalizado, criado para mim, de acordo com meus hábitos de consumo (não que ele sempre acerte). O algoritmo certamente vai ter cada vez mais importância na apresentação desses vídeos. O Instagram entendeu rápido a demanda por conteúdos efêmeros, rápidos de assistir e que não exigem muito “penso” por parte do espectador.
Agora entendemos o que o Instagram quer com o IGTV, mas ainda temos que esperar o que os criadores de conteúdo vão fazer da plataforma. Eu estou bastante curioso!
Conteúdo rápido de assistir, fácil de consumir e difícil de parar. Essa é a receita do Instagram para abocanhar uma boa parcela do consumo de vídeos na rede.
Vai funcionar? Veremos (e talvez veremos na vertical).
Abração do Jeão.

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